O blog está mudando de casa
Se tem uma coisa que andou acontecendo por aqui foi MUDANÇA, daqui um tempo eu conto um pouco sobre isso. Uma dessas mudanças que eu já queria fazer era justamente na plataforma do blog, antes eu estava usando o blogger, na verdade eu ainda tenho o blog hospedado lá, estou migrando aos pouquinhos os posts pra cá. Eu queria uma plataforma que fosse mais fácil de personalizar, apesar de eu estar presa ao blogger por alguns motivos: parte de comentários (nem sei o porquê) e gadget de seguidores (também não faço a menor ideia do motivo) e eu não conseguia transferir, sei lá, acho que é o costume mesmo. Aqui sinto que vou saber personalizar as coisas do jeito que gosto, o Elementor facilita muito, até porque já era uma ferramenta que eu queria aprender mais. Tenho várias ideias do que implementar por aqui, ainda preciso ver como que vou separar algumas coisas: jardim digital, blog & portfolio =)
Trabalhar com o que gosto
Esse post é praticamente uma continuação do post anterior em que eu falei sobre a vida além do trabalho. Aqui é mais um insight que eu tive ontem e que pode impactar muita coisa do meu futuro. Eu e meu namorado estamos decidindo o que vamos fazer da vida a partir de agora. No meu caso, só vou começar a pensar depois das férias, ou seja, apenas a partir de junho. Minha mãe está chegando e eu vou estar de férias, então quero aproveitar o máximo de tempo que eu tenho com ela. Sempre nesses momentos de grandes decisões ela está presente junto comigo, então é como se eu tivesse aqui 3 semanas com minha melhor amiga desabafando sobre a vida e ao mesmo tempo entendendo quais decisões tomar. Eu não espero que a minha mãe tome as decisões por mim, mas é que quando eu morava no Brasil era pra ela quem eu contava tudo o que estivesse refletindo sobre, sabe esses dois posts que escrevi agora? Então, eu contaria pra ela. Só que agora com a distância e a diferença de horário fica mais difícil. Então, junto com aquela reflexão do post anterior, me veio outro pensamento: talvez eu não queira mais trabalhar com o que eu gosto. Sempre que penso isso me vêm lágrimas nos olhos pois eu de fato gosto da área de design e de trabalhar com isso, mas é algo delicado. Fui entendendo ao longo do tempo que eu sou uma pessoa muito exigente comigo mesma, então no meu trabalho eu sempre tenho que fazer o melhor, as coisas têm que sair perfeitas, sou muito metódica e eu me entrego muito para o trabalho. Se eu não me esforçar até o limite para fazer acontecer, não é suficiente. Isso é muito chato! Também já comentei aqui sobre o período em que eu estava trabalhando em São Paulo para duas empresas na área de design, etc. Mais uma vez, não tive diagnóstico de burnout, mas eu acho que estava chegando perto de ter um. Resolvi que, ao vir pra Portugal, eu tiraria um período sabático e iria me dedicar em qualquer coisa que eu encontrasse. E assim aconteceu. Comecei a trabalhar em restaurante como garçonete e fui conhecendo todo um universo da gastronomia, vinhos, drinks, atendimento, comunicação e até turismo. Durante esse um ano foi muita novidade por aqui, muito estresse também, mas acabei vivendo a vida real fora de telas e do digital. Não vou negar que sempre continuei pensando em voltar a trabalhar com design, toda vez que eu pegava um freela pra fazer eu ficava muito empolgada por poder fazer algo criativo e algo que eu gosto, mas também era sempre um sofrimento de que poderia não estar bom, de que o cliente não iria gostar, de que eu não me esforcei o suficiente. Era só um post que surgia pra eu fazer e já vinha todo esse sentimento negativo junto. Era uma carga negativa que vinha junto da empolgação. Ultimamente refletindo melhor sobre as cosias percebi que eu começava a tornar o meu trabalho a minha identidade também. Quem sou eu? “Emilly, 28 anos, apaixonada por design, trabalha com isso”. E eu nunca soube responder quem eu sou além disso, além da minha profissão, e acabava que se eu fosse mal no meu trabalho eu carregava isso pra vida, era como se a Emilly falhasse fora do trabalho também só porque teve algum desempenho ruim dentro do trabalho. Se minha chefe me chamasse atenção pra falar mais na reunião porque ela queria ouvir minhas ideias, eu levava aquilo pra vida toda, tipo: “eu sou muito tímida, não falo, não sei me comunicar com ninguém fora do trabalho, sou péssima” e por aí vai… Se eu atrasasse alguma demanda era como se eu fosse uma pessoa super procrastinadora na vida como um todo, se um cliente não gostasse de algum trabalho que eu fiz era como se eu fosse uma péssima profissional e, consequentemente uma péssima pessoa porquê ser designer era quem eu era, fazia parte de mim. Eu não me permitia errar para aprender com o erro. Atrelado a isso, todas as outras coisas da minha vida teriam de ser relacionadas ao trabalho: se eu fosse estudar algo, teria que ser pra minha carreira, se eu fosse ler um livro, teria de ser algo pro trabalho ou carreira. Pra quê hobbies se eu tinha muitas outras habilidades pra aprender pra ser uma profissional melhor? É cansativo demais!!! O trabalho não é o centro de tudo, não é a minha vida, não é unicamente quem eu sou. Há muito mais além dele e é o que venho descobrindo nesse último ano, apesar de estar mergulhada em trabalho também (não tão diferente lá de São Paulo), mas acho que agora estou com outra idade, outra cabeça, outro ambiente, outro momento da minha vida… E mais terapeutizada =) amei que minha psicóloga me falou que estou mais terapeutizada hahaha, ainda não tive alta da terapia, mas tô caminhando pra isso. *** Nesse último ano estive trabalhando com algo que eu nem gosto e nem desgosto, é indiferente pra mim e tem sido uma experiência curiosa. No início eu fiquei empolgada, é claro, ambiente novo, empresa nova e muita coisa para aprender. Sofri por um tempo por não estar conseguindo fazer as coisas dentro do tempo certo ou mais rápido, mas é aprendizado e não é de um dia pro outro que eu aprendo. É preciso de tempo e isso é uma coisa que eu fui aprendendo também. Hoje eu olho pro meu trabalho e ele é relativamente fácil, sou ágil e tenho total confiança no que eu faço, mas pra chegar até aqui eu precisei de um ano. Isso antes era um período longo pra mim, hoje é um período normal, é comum. Sinto que não sou mais uma aprendiz, mas também não me considero uma profissional que sabe de muita coisa, eu sei pouco ainda e eu estou completamente confortável com isso. Quando surge
Vida além do trabalho
Ando percebendo que meu corpo e minha mente anseiam por viver uma vida além do trabalho. Isso é uma coisa que eu comecei a refletir desde que eu voltei a morar em São Paulo no final de 2023, sobre o que é ter uma vida além do trabalho. A vida inteira eu me vi dedicada em estudos e carreira, quase não saía com amigos, meu lazer era limitado a assistir filmes e séries. Eu lembro que quando eu estava no fundamental e início do ensino médio eu até tinha outros hobbies: fotografar, visitar blogs e tumblr, aprender algo novo de HMTL ou de criar conteúdos em blogs, ler livros, criar coisas, desenhar, pintar… Eu ficava nas redes sociais também mas era de uma forma diferente de hoje, tinham mais textos. Acho que você que está lendo esse post eu imagino que seja de uma época quase igual a minha, deve ter navegado bastante na internet dos anos 2000 ou 2010. Quando eu entrei no ensino médio meus hobbies reduziram um pouco, afinal eu tinha cursos aos sábados, escola pela manhã, trabalho de tarde e algum outro curso de noite (que eu consegui pagar graças ao trabalho como jovem aprendiz), então não me sobrava muito tempo. Mas mesmo assim eu ia em cinemas, lia livros, escrevia em blogs, fotografava. Mas ali eu já criava uma pressão em mim sobre a minha vida profissional. Entrei na faculdade de Turismo e as coisas ficaram mais corridas, eu tinha muitos outros projetos da faculdade, fiz amigos mas ainda não saía muito. Os nossos tempos juntos eram na faculdade. Depois começa período de estágio e TCC e cada um vai ficando sem tempo. Eu já tinha apenas o blog alguma vez ou outra durante o ano. Meus hobbies foram sendo substituído em ficar em redes sociais e ver Netflix. Enfim, depois veio 2020, pandemia e depois mudei pra São Paulo para estudar Design. Fiz a faculdade, estagiei, fui contratada efetiva, mudei pra Manaus, continuei trabalhando remotamente, voltei pra São Paulo e trabalhando na mesma empresa com salário maior. Acontece que alguns meses trabalhando eu comecei a abrir os olhos para outras áreas da vida e fui me perguntando: o que é ter uma vida além do trabalho? Naquele momento eu estava em São Paulo, longe da minha família há poucos meses, longe do meu namorado há mais de ano, me via trabalhando praticamente 7/7 sem tempo para nada. Meu lazer: ver Netflix. Que aliás nem lazer era, na verdade era uma forma de eu conseguir escapar de tudo o que eu estava pensando ou sentindo e me concentrar em qualquer história de ficção. Eu só queria qualquer coisa que me tirasse da realidade e as séries faziam isso. Acontece que, se você trabalha com computador o dia todo e todos os dias, o descanso/ lazer não é pra ser mais telas. Lembro que foi nessa época que eu comecei a imaginar como que seria uma vida além do trabalho, como é ter tempo pra sair, para cuidar da casa, para fazer qualquer coisa que queira, pra ir no salão, para ver os amigos. Eu não sabia pois tinha pouco disso. Eu reservava um dia no mês pra ter uma noite de jogos com um grupo de amigos, e só. Desde então eu vislumbrava viver além do trabalho, viver para mim. Eu não conseguia encontrar sentido em nada que não fosse relacionado a trabalho, é a carreira que importava e era mais valioso. Até aquele momento. Me mudei para Portugal há pouco mais de um ano e tinha consciência de que eu teria que “começar do zero” e trabalhar em outra área que não fosse a minha, morar em casa compartilhada e limitar um pouco o meu padrão de vida. Consegui um emprego num restaurante e estou lá desde então. E após alguns meses eu me vi novamente estando no trabalho grande parte do meu tempo, há dias em que eu fico 14h na empresa. 14 HORAS! E não é uma vez ou outra no mês, são algumas vezes na semana e o tempo mais comum que eu passo na empresa é de 10h. Fora que já teve mês que eu tive só uma folga por semana. E não, eu não ganhei extra por isso. Eu dificilmente janto com meu namorado, pouquíssimas vezes tenho folga junto com ele, raramente conseguimos sair juntos, meu tempo para cuidar da casa é curto pois eu fico cansada e tenho pouco tempo durante o dia. Tudo isso ganhando um salário mínimo. Durante o inverno foi mais difícil, era nublado o tempo todo, chuva todos os dias e o dia todo, frio, anoitecia muito cedo, nosso quarto e a casa tinha muito vazamento de água e, consequentemente, muita umidade. Não quero descrever aqui só o lado negativo da coisa, tá? Há pessoas que estão numa situação muito muito pior do que a minha, eu tenho total consciência disso. Então as dificuldades que estou passando agora não são tão ruins, é completamente possível de superar. Primeiro quis apresentar um contexto de como que foi surgindo esse questionamento e essa necessidade de se ter uma vida além do trabalho. E eu não acho que eu esteja numa situação ruim também, eu sou muito grata a tudo que estou vivendo no momento e graças a isso somado aos 3 anos de terapia e meu amadurecimento que eu expandi a minha visão para outras áreas da vida que não sejam trabalho. Resistência física Trabalhando no restaurante eu adquiri resistência física. Consigo andar muito por aí, há um ano atrás pra subir uma ladeira ou andar 1km ou menos eu tinha muita dificuldade, chegava a quase desmaiar na rua. Eu estava muito sedentária. Hoje eu ando vários km e sinto apenas um leve cansaço, mas nada que possa me impedir de continuar caminando. Aprendi a me comunicar mais. Estar exposta a todo momento num ambiente em que vai muitas pessoas, lidar com muita gente, ter que falar o tempo inteiro eu acabei meio que me acostumando a