Trabalhar com o que gosto
Esse post é praticamente uma continuação do post anterior em que eu falei sobre a vida além do trabalho. Aqui é mais um insight que eu tive ontem e que pode impactar muita coisa do meu futuro. Eu e meu namorado estamos decidindo o que vamos fazer da vida a partir de agora. No meu caso, só vou começar a pensar depois das férias, ou seja, apenas a partir de junho. Minha mãe está chegando e eu vou estar de férias, então quero aproveitar o máximo de tempo que eu tenho com ela. Sempre nesses momentos de grandes decisões ela está presente junto comigo, então é como se eu tivesse aqui 3 semanas com minha melhor amiga desabafando sobre a vida e ao mesmo tempo entendendo quais decisões tomar. Eu não espero que a minha mãe tome as decisões por mim, mas é que quando eu morava no Brasil era pra ela quem eu contava tudo o que estivesse refletindo sobre, sabe esses dois posts que escrevi agora? Então, eu contaria pra ela. Só que agora com a distância e a diferença de horário fica mais difícil. Então, junto com aquela reflexão do post anterior, me veio outro pensamento: talvez eu não queira mais trabalhar com o que eu gosto. Sempre que penso isso me vêm lágrimas nos olhos pois eu de fato gosto da área de design e de trabalhar com isso, mas é algo delicado. Fui entendendo ao longo do tempo que eu sou uma pessoa muito exigente comigo mesma, então no meu trabalho eu sempre tenho que fazer o melhor, as coisas têm que sair perfeitas, sou muito metódica e eu me entrego muito para o trabalho. Se eu não me esforçar até o limite para fazer acontecer, não é suficiente. Isso é muito chato! Também já comentei aqui sobre o período em que eu estava trabalhando em São Paulo para duas empresas na área de design, etc. Mais uma vez, não tive diagnóstico de burnout, mas eu acho que estava chegando perto de ter um. Resolvi que, ao vir pra Portugal, eu tiraria um período sabático e iria me dedicar em qualquer coisa que eu encontrasse. E assim aconteceu. Comecei a trabalhar em restaurante como garçonete e fui conhecendo todo um universo da gastronomia, vinhos, drinks, atendimento, comunicação e até turismo. Durante esse um ano foi muita novidade por aqui, muito estresse também, mas acabei vivendo a vida real fora de telas e do digital. Não vou negar que sempre continuei pensando em voltar a trabalhar com design, toda vez que eu pegava um freela pra fazer eu ficava muito empolgada por poder fazer algo criativo e algo que eu gosto, mas também era sempre um sofrimento de que poderia não estar bom, de que o cliente não iria gostar, de que eu não me esforcei o suficiente. Era só um post que surgia pra eu fazer e já vinha todo esse sentimento negativo junto. Era uma carga negativa que vinha junto da empolgação. Ultimamente refletindo melhor sobre as cosias percebi que eu começava a tornar o meu trabalho a minha identidade também. Quem sou eu? “Emilly, 28 anos, apaixonada por design, trabalha com isso”. E eu nunca soube responder quem eu sou além disso, além da minha profissão, e acabava que se eu fosse mal no meu trabalho eu carregava isso pra vida, era como se a Emilly falhasse fora do trabalho também só porque teve algum desempenho ruim dentro do trabalho. Se minha chefe me chamasse atenção pra falar mais na reunião porque ela queria ouvir minhas ideias, eu levava aquilo pra vida toda, tipo: “eu sou muito tímida, não falo, não sei me comunicar com ninguém fora do trabalho, sou péssima” e por aí vai… Se eu atrasasse alguma demanda era como se eu fosse uma pessoa super procrastinadora na vida como um todo, se um cliente não gostasse de algum trabalho que eu fiz era como se eu fosse uma péssima profissional e, consequentemente uma péssima pessoa porquê ser designer era quem eu era, fazia parte de mim. Eu não me permitia errar para aprender com o erro. Atrelado a isso, todas as outras coisas da minha vida teriam de ser relacionadas ao trabalho: se eu fosse estudar algo, teria que ser pra minha carreira, se eu fosse ler um livro, teria de ser algo pro trabalho ou carreira. Pra quê hobbies se eu tinha muitas outras habilidades pra aprender pra ser uma profissional melhor? É cansativo demais!!! O trabalho não é o centro de tudo, não é a minha vida, não é unicamente quem eu sou. Há muito mais além dele e é o que venho descobrindo nesse último ano, apesar de estar mergulhada em trabalho também (não tão diferente lá de São Paulo), mas acho que agora estou com outra idade, outra cabeça, outro ambiente, outro momento da minha vida… E mais terapeutizada =) amei que minha psicóloga me falou que estou mais terapeutizada hahaha, ainda não tive alta da terapia, mas tô caminhando pra isso. *** Nesse último ano estive trabalhando com algo que eu nem gosto e nem desgosto, é indiferente pra mim e tem sido uma experiência curiosa. No início eu fiquei empolgada, é claro, ambiente novo, empresa nova e muita coisa para aprender. Sofri por um tempo por não estar conseguindo fazer as coisas dentro do tempo certo ou mais rápido, mas é aprendizado e não é de um dia pro outro que eu aprendo. É preciso de tempo e isso é uma coisa que eu fui aprendendo também. Hoje eu olho pro meu trabalho e ele é relativamente fácil, sou ágil e tenho total confiança no que eu faço, mas pra chegar até aqui eu precisei de um ano. Isso antes era um período longo pra mim, hoje é um período normal, é comum. Sinto que não sou mais uma aprendiz, mas também não me considero uma profissional que sabe de muita coisa, eu sei pouco ainda e eu estou completamente confortável com isso. Quando surge